Entenda como Google e Microsoft trocaram de lugar no mercado

Office woman

Na semana passada, Gordon Kelly, contribuidor que escreve sobre tecnologia para a Forbes, fez uma declaração intrigante: a Google, uma das empresas de tecnologia mais admiradas no mundo, pode estar perdendo o rumo, ficando para trás. Para ele, “a Microsoft é a nova Google, e a Google é a antiga Microsoft”. Como assim? De acordo com Kelly, a cultura da informação e da comercialização do engajamento virtual –  o próprio meio em que nasceu e se desenvolveu a Google – podem estar engolindo a gigante, que se perde por insistir naquilo que lhe deu seu status atual.

Será que Microsoft e Google trocaram mesmo de lugar? A situação, segundo o especialista, é a seguinte: sob o comando de Satya Nadella no último ano, a Microsoft se tornou uma empresa de serviços e negócios digitais progressiva e aberta. Em comparação, a Google, que inicialmente tinha essas características, além de carregar a inovação como bandeira, tem se apegado às suas principais fontes de receita, que estão “envelhecendo”, de forma a negligenciar o presente, e nas palavras de Gordon Kelly, “concentrar esforços em projetos sem rumo, que prometem muito mais do que cumprem” (vide Google Glass). Vamos, então, aos pontos destrinchados por Kelly.

A Google está se tornando a Microsoft e isso não é bom

Os dois pilares da Google são os anúncios e a ferramenta de pesquisa. Para Kelly, eles seriam como o Windows e o Office da Microsoft, ocupando o mesmo papel central. A questão é que esses dois serviços principais estão se esfacelando em face de estratégias mais específicas de marketing dentro das mídias sociais, assim como por causa da compartimentalização do nosso mundo em aplicativos. Os desejos das pessoas estão mais especificamente aparentes no Facebook, Twitter, Snapchat e Instagram do que nas pesquisas feitas através do Google. Além disso, estamos cada vez mais utilizando aplicativos específicos para realizar tais buscas.

A consequência é que o Adsense, serviço de anúncio relacionado à pesquisas da Google, atualmente está em seu pior momento em sete anos. Para Gordon Kelly, isso é motivo para que a empresa reveja seus planos para o futuro, ao invés de agir como a Microsoft com o Windows e o Office, concentrando forças em um mecanismo que parece declinar. Além disso, outro erro da Google em comum com a postura anterior da Microsoft é a não priorização do mobile. Gordon Kelly enxerga um padrão: assim como a Microsoft pareceu ficar descansada uma vez que dominava o mundos dos computadores pessoais, a Google parece fazer o mesmo com os smartphones. O especialista se pergunta se priorizar o conceito chamado pelo Google de “material design” ao invés de investir em combater problemas de performance, tempo de bateria e fragmentação seria mesmo uma decisão sábia.

Problemas com iniciativas como o programa Nexus e o Google Play Editions, que parecem estar mortos, as dificuldades com alguns aplicativos da empresa, e a lentidão em que se dá o processo de convergência entre Android e o sistema operacional Chrome, são indicadores de que a atenção da Google está em outro lugar. Que lugar é esse? Talvez o futuro, talvez projetos sem rumo. A empresa tem se gabado de carros autônomos, balões de ar quente que levam sinal de wi-fi para lugares remotos, lentes de contato revolucionárias, óculos de realidade virtual feitos de papelão, entre outros. Quantos desses produtos ou serviços estão gerando receita significativa para o Google? Bem… zero.

Gordon Kelly não está dizendo que não se deve investir em mudar o mundo e fomentar a inovação. Seu ponto é que “enquanto esses projetos surgem e declinam, a empresa está deixando aspectos básicos de lado”. Por exemplo, a rede social Google+ “é uma cidade fantasma” e o Chrome, navegador antigamente leve, pode estar gerando um problema de consumo de bateria em computadores Windows. A Chromecast, tentativa de um TV digital, está encoberta pela Android TV. Parece que a Google tenta fazer tudo ao mesmo tempo e termina sem nada. O resultado? A Apple, por exemplo, pega a ideia boa, porém mal desenvolvida da concorrente, investe um pouco mais de tempo e expertise na execução, e a transforma em um produto extremamente consumível e vendável.

Para Kelly, não só a Apple está se divertindo às custas da Google, mas a própria Microsoft entrou nessa. O mais curioso: o atual sucesso e melhoras da empresa de Bill Gates vêm de copiar a forma como a Google costumava operar, segundo Kelly.

O outro lado: a Microsoft está virando a Google e isso é muito bom

O que era tão encantador na forma Google de fazer as coisas? Uma empresa que entrava em qualquer setor de forma aberta e oferecendo excelentes serviços grátis, gerando sua receita por meio de anúncios. Chrome, Gmail, Google Docs, Google Maps, YouTube and Google Search formavam um grupo “sagrado” que conseguiu se tornar indispensável para usuários Windows, Mac, Windows Mobile, etc. O problema começa porque quando não mais vistos como ameaça, os serviços Google perdem qualidade, ou suas falhas não são prontamente resolvidas.

A Microsoft ainda não está nessa posição de oferecer serviços indispensáveis, mas caminha para tal. A compra dos aplicativos Acompli e Sunrise, por exemplo, mostra que a empresa está investindo em e-mail e calendário de qualidade. O projeto Spartan é uma navegador web que visa a rapidez (para sair da herança sombria do Explorer). O Office foi aberto para todos os serviços de Nuvem, visando concorrer que iCloud, Docs, Drive.

E como a Microsoft está levando esses aplicativos para seus usuários? Astutamente, a empresa escolheu a Samsung, principal parceira da Google no quesito mobile, para servir de mecanismo de entrega dos apps a partir da coleção Galaxy 6. Além disso, a empresa liberou o Windows 10 gratuitamente, e continua a desenvolver sua linha de smartphones, Lumia, buscando oferecer mais qualidade.

Investir nos básicos não significa deixar de lado os grandes projetos: o Windows Holographic e as Hololens, óculos de realidade virtual, que mesclam o mundo real com hologramas, são provavelmente os projetos mais interessantes atualmente, quando se trata de tecnologia. O gadget interessa investidores e usuários, enquanto a empresa foca sua atenção no presente.

Como isso aconteceu?

Para Gordon Kelly, a mudança acontece a partir da mesma motivação: medo. A Microsoft não tem nada a perder e a Google, está em posição contrária. A primeira, antigamente, rica e estabelecida por causa do Windows e Office, sentia que não precisava estar no controle das tendências tecnológicas por causa de sua posição predominante no mercado, o que foi um tiro no pé. A Google se aproximou com serviços virtuais e colocou a Microsoft em posição secundária.

Agora é ela que está rica por causa de seus serviços de internet e do mobile, e pode estar caindo na mesma armadilha. Enquanto sonha com projetos futurísticos, a Google perde nos básicos e enfrenta uma Apple consolidada e uma Microsoft renovada, prontas para puxar seu tapete. Mobile e serviços web ainda estão evoluindo, não estão ganhos, como talvez pense a Google. A questão é: será que a empresa sabe que tem um problema? Ainda há muito tempo para voltar aos trilhos, mas é preciso reconhecer as dificuldades. Para a Microsoft foi preciso uma década – Gordon Kelly recomenda esperar pra ver.

Fonte. www.administradores.com.br

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